Palavra do dia

"Eis que DEUS é meu ajudador, o SENHOR é quem me sustenta a vida." (SALMO 54:4)


quinta-feira, 19 de março de 2015

ÊXODO: PORQUE O NOME DOS FARAÓS NÃO SÃO MENCIONADOS NA BÍBLIA?

Os verdadeiros leitores do livro do Êxodo sabem que o nome do faraó - que contendeu com Moisés e até mesmo com Deus - não é mencionado; Moisés omite não apenas o nome dele, mas também do faraó antes dele e da mulher que o adotou.

Muitos historiadores tomam essa "falta de objetividade histórica" para afirmar que a história dos israelitas no Egito não passa de uma ficção criada pela elite sacerdotal nos dias do rei Josias - rei de Judá, no séc. VII a.C., durante sua reforma religiosa. Mas será que foi isso mesmo?

Primeiro, essa prática de não nomear os derrotados é bem mais antiga do que o tempo em que o rei Josias viveu, evidênciando que o livro do Êxodo foi escrito em uma data bem próxima aos eventos que ele narra; por isso - e por outras razões - que Moisés é tido como o escritor original.

Segundo, creio que Moisés sabia muito bem o nome dessas pessoas. Se ele até mesmo reconhecia os nomes das egípcias que ajudaram as mulheres hebreias, Sifrah e Puah [Êx 1.15], então ele certamente sabia o nome dos faraós! Tal omissão foi deliberada.

Os quinze capítulos iniciais de Êxodo são uma batalha ideológica entre Yahweh, o Deus dos israelitas, e faraó, o rei divino egípcio. Quando confrontado por Moisés pela primeira vez para deixar seu povo abandonar a casa da servidão, em Êx 5.1-2, o monarca egípcio arrogantemente pergunta: “Quem é o Senhor para que eu obedeça a sua voz para deixar Israel ir? Eu não conheço o Senhor, e também não deixarei Israel ir”. Se Faraó não conhecia a Deus, Moisés fez questão de apresentá-lo nos capítulos seguintes.

Quando estudamos arqueológia egípcia, vemos que nas histórias contadas - nas paredes de palácios e templos - para um faraó ser reconhecido, deveria ser por suas vitórias e conquistas, por sua inteligência e força. Mas havia uma prática comum entre vários povos antigos (incluindo os egípcios): o rei derrotado não deve ser nomeado.

Eis alguns exemplos:

a. Quando o Faraó Thutmoses III, em Megido, sufocou uma rebelião iniciada pelo rei de Kadesh, ele se refere a este rei como “aquele miserável rei de Kadesh”, ou “aquele miserável rei”;

b. Numa cena em que Seti I pode ser visto perseguindo o rei dos Hititas e o acertando com flechas, as 20 linhas de texto descrevendo a batalha não mencionam o nome do rei derrotado;

c. Nos poemas e descrições militares de Ramsés II da já mencionada batalha de Kadesh, em nenhum momento o rei hitita é mencionado pelo nome, mas sempre referido como “o inimigo de Hati” (como império hitita também era chamado) ou “o miserável rei de Hati”.

Ao que parece, essa prática de não nomear o rei derrotado foi adotada pelo autor do livro de Êxodo, Moisés. Nos quinze capítulos iniciais da obra, os faraós - e os da sua família - jamais são mencionados pelo nome.

Por: Gabriell Stevenson

(Apologética XXI)

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