Palavra do dia

"Eis que DEUS é meu ajudador, o SENHOR é quem me sustenta a vida." (SALMO 54:4)


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

PENA DE MORTE PARA QUEM CARREGAR A BÍBLIA

A Arábia Saudita é o “berço” do Islamismo, tendo em Meca a cidade mais sagrada desta religião. Já é proibido aos não muçulmanos entrarem naquela cidade. De modo geral, a perseguição religiosa só aumenta. Não há igrejas conhecidas e a maioria dos cristãos naquela nação são imigrantes estrangeiros.
Agora, o governo do país que já se diz regido pela lei sharia, anuncia modificações em uma lei sobre literatura. Isso poderá marcar o fim do cristianismo na região. O motivo é simples: está prevista pena capital para quem carregar Bíblias para dentro da Arábia. Ou seja, o que já era considerado contrabando, agora chega ao extremo. Não se pode comprar legalmente uma cópia das Escrituras por lá.

A missão Heart Cry  [Clamor do coração] divulgou em seu relatório mais recente que ao legislar sobre a importação de drogas ilegais, incluiu-se um artigo que aborda “todas as publicações de outras crenças religiosas não islâmicas e que tragam prejuízo”. Ou seja, na prática, entrar com uma Bíblia na Arábia Saudita será o mesmo que carregar cocaína ou heroína.
Segundo a lista publicada anualmente pelo Ministério Portas Abertas, em 2014 a Arábia Saudita figura como o 6º país que mais persegue cristãos.  A conversão para outra religião já era proibida na Arábia Saudita, punida com a morte. Mesmo assim, existem relatos crescentes que muçulmanos estão seguindo a Cristo após sonhos e visões. (VEJA A MATÉRIA AQUI)

O portal WND entrou em contato com a embaixada da Arábia Saudita para confirmar as mudanças na lei, mas a resposta oficial é que não haveria comentários. Por ser um importante parceiro comercial dos EUA, a Arábia raramente recebe cobertura negativa da imprensa.
O teólogo Joel Richardson, que tem escrito vários livros e produz documentários sobre o islamismo e o final dos tempos, afirmou: “Se os muçulmanos verdadeiramente tivessem confiança que sua religião é verdadeira, não teriam medo de pessoas que leem a Bíblia”.
[...]

(Gospel Prime)

JESUS ERA CASADO?

O recente anúncio de que cientistas comprovaram a autenticidade de um antigo papiro que traz a informação de que Jesus teria sido casado reacendeu a polêmica sobre o assunto. Três equipes de cientistas de Harvard, de Columbia e do MIT (Massachussetts Institute of Tecnology) concluíram que o chamado Evangelho da Esposa de Jesus, escrito na língua copta e descoberto em 2012, remonta mais provavelmente ao período entre os séculos 6 e 9 d.C. De acordo com o artigo publicado na Harvard Theological Review, “a composição química do papiro e os padrões de oxidação são consistentes com outros papiros antigos, ao comparar o fragmento do Evangelho da Esposa de Jesus [que tem 4 por 8 centímetros] com o Evangelho de João”.

O papiro contém a frase “Jesus disse-lhes: ‘Minha esposa…’” Mas o que a conclusão dos pesquisadores provaria, afinal: que Jesus teve mesmo uma companheira? Ou simplesmente que o papiro é genuíno?

O fato é que, apesar do “peso” das três instituições por trás da pesquisa, as conclusões ainda levantam dúvida. O egiptólogo Leo Depuydt, da Brown University, por exemplo, afirma que erros gramaticais do copta e o uso seletivo de negrito nas palavras “minha esposa” são indícios de que se trata de uma falsificação.

Falsificação ou não, nunca é demais relembrar que todos os textos que insinuam algum tipo de relação mais íntima entre Maria Madalena e Jesus são bem mais recentes que os evangelhos oficiais, tendo sido escritos por pessoas que queriam justamente desafiar as visões mais ortodoxas do cristianismo, como é o caso dos gnósticos, a maioria dos quais vivia na cidade de Alexandria, no Egito. Eles acreditavam numa espécie de revelação secreta e esotérica que lhes daria o “verdadeiro” conhecimento para a salvação. Maria Madalena passou a ser usada pelos gnósticos como um símbolo do “conhecimento verdadeiro” que eles teriam de Jesus, e como a verdadeira predileta de Cristo, da qual eles seriam seguidores (convenhamos, dá um ótimo enredo para filmes hollywoodianos, como O Código Da Vinci). O aspecto polêmico e tardio desses textos torna muito pouco provável que eles sejam fundamentados em alguma memória histórica envolvendo a Maria Madalena real.

Os gnósticos chegaram a negar a morte de Jesus na cruz, afirmando que quem teria morrido, na verdade, havia sido o homem Jesus, pois o espírito do Cristo teria voltado para o Pai. “Foi nessa ‘onda’ que surgiu também a necessidade de se criar uma esposa para Jesus de Nazaré, a fim de fazer jus às ideias de que espíritos evoluídos estavam sempre em pares (casais) e nunca sozinhos. O Cristo ou o Logos, que seria o espírito que teria dominado a mente do homem Jesus, também teria uma consorte, uma deusa chamada Sofia!”, explica o arqueólogo Rodrigo Silva.

Mas se Jesus tivesse tido uma esposa, isso não seria exatamente um problema. Em 1 Coríntios 7:9; 9:5 e em 1 Timóteo 3:2, Paulo defende o direito apostólico de ser casado e menciona os líderes da Igreja (Pedro, os apóstolos e os irmãos do Senhor) como casados. Se Jesus fosse casado, a igreja não teria motivos para esconder isso. Portanto, o completo silêncio da igreja primitiva sobre esse assunto nos leva a crer não que estavam escondendo uma verdade sobre o estado civil de Jesus, mas que Ele não era de fato casado. “Nessa região e naquela época se discutia muito se era apropriado ao cristão se casar. Por essas evidências, supõe-se que o Evangelho da Esposa de Jesus seja um documento surgido em um ambiente de gnosticismo”, diz o arqueólogo Jorge Fabbro.

É como li no Twitter certa vez (pena que não anotei a autoria): “Contra fatos (mais de cinco mil manuscritos bíblicos) não há fragmentos”.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

MAIS UMA EVIDÊNCIA DE QUE A TEORIA DA EVOLUÇÃO É UMA FARÇA

Os colaboradores Wallace Barbosa, colunista da página Teoria do Design Inteligente, no Facebook, e Everton Fernando Alves, enfermeiro e mestre em Ciências da Saúde pela UEM, aceitaram meu desafio de refutar o artigo publicado no site Hypescience, com o título “Descobertas científicas que provam que a evolução é real”.
Aqui está o resultado da ótima pesquisa deles. Antes, porém, é importante esclarecer alguns pontos a fim de que não sejam generalizadas as afirmações feitas no texto, e que sejam entendidas dentro do contexto adequado. Nós, criacionistas, entendemos e aceitamos que a teoria da evolução trouxe grandes contribuições à história da ciência. Já está bem estabelecido o papel da seleção natural, das variações de baixo nível (conhecidas como o processo de microevolução observado nos experimentos de Lenski), especiação e ancestralidade comum com limitações. Porém, nos posicionamos contra a ideia de macroevolução (grandes mudanças ao longo de milhões de anos), que não pode ser testada, e a ancestralidade comum no contexto neodarwinista, questões ainda em debate... (continue lendo aqui)


DUAS DESCOBERTAS QUE DESAFIAM A TEORIA DA EVOLUÇÃO

As duas últimas semanas não foram nada fáceis para os defensores da teoria da evolução. Duas novas descobertas divulgadas na mídia se somaram às muitas evidências que desafiam o modelo evolutivo. A primeira, que na verdade nem se trata de uma novidade, foi publicada em forma de nota no site da revista Superinteressante (até porque esperar uma capa sobre o assunto seria demais). Trata-se da descoberta de que o apêndice tem função em nosso corpo. Segundo a nota, a “explicação tradicional” era de que o apêndice seria “uma redundância que a evolução esqueceu dentro de nós”. Uma espécie de “órgão vestigial” dos supostos milhões de anos de evolução, mutações, seleção natural e adaptações. Só que microbiólogos australianos e franceses concluíram que o órgão é fundamental no papel de povoar o sistema digestivo com bactérias que colaboram com o nosso sistema imunológico, nos defendendo de infecções. Resumindo: o apêndice tem, sim, função e não tem nada a ver com a lenda dos órgãos vestigiais.

Nada como um dia depois do outro e uma pesquisa depois da outra. Há muito tempo os criacionistas vêm dizendo que esse negócio de “órgão vestigial” é história para evolucionista dormir. Vários desses “resquícios da evolução” foram redefinidos à medida que mais pesquisas foram realizadas. Esse é um bom exemplo de quando a boa ciência derruba os mitos. E esses mitos apenas se perpetuaram por causa da teimosia de seus defensores e da arrogância de evolucionistas que, mesmo desconhecendo a função de um órgão, tinham coragem de afirmar que se tratava de mero “apêndice” sem utilidade.

A outra descoberta divulgada nesta semana dá conta de que foram encontrados vasos sanguíneos em um fóssil de dinossauro com supostos 80 milhões de anos. Como assim? Vasos sanguíneos poderiam ser preservados por tantos milhões de anos? Pois é. Esse é o grande problema...

Os vasos foram vistos pela primeira vez após a desmineralização de um pedaço de osso da perna de um hadrossauro (Brachylophosaurus canadensis) de nove metros de comprimento. As proteínas puderam ser identificadas graças à moderna técnica de espectrometria de massa de alta resolução.

Cientistas evolucionistas preferem propor um absurdo – que proteínas e tecidos moles sejam capazes de se manter íntegros por milhões de anos – a questionar seu modelo e as infladíssimas datas das quais ele depende. Isso é ciência? A situação está ficando complicada para eles, pois o aprimoramento dos equipamentos capazes de perscrutar os fósseis está revelando detalhes inesperados.

Com a identificação dos vasos sanguíneos e de outros tecidos moles em fósseis de dinossauros, os cientistas só têm duas explicações possíveis: (1) ou o sangue de dinossauro de alguma forma contradisse as expectativas e sobreviveu por 80 milhões de anos, (2) ou o fóssil de dinossauro não é tão antigo como muita gente pensa que é, tendo, no máximo, alguns milhares de anos. Parece que a segunda alternativa é a mais lógica. Só que nessas horas nem sempre a lógica funciona.

Os evolucionistas costumam usar a “Navalha de Occam” contra as explicações que desafiam seu naturalismo filosófico, mas note que essa mesma navalha é colocada de lado quando pode ser usada contra os mitológicos “milhões de anos”. Se foi encontrado material orgânico que tem aparência jovem, então a explicação mais direta e simples é a de que esse material é de fato jovem.

Vamos ver quem vai vencer desta vez: a fé ou os fatos...

(Michelson Borges Criacionismo)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

GUILHERME MILLER- PAI DO MOVIMENTO ADVENTISTA NOS EUA

“A LINHA ‘numerada’ representa o período completo dos 2300 dias-anos, o maior período profético mencionado na Bíblia. Começando em 457 antes de Cristo, quando foi emitido o decreto para se restaurar e construir Jerusalém (Esd. 7:11-26; Dan. 9:25), contam-se sete semanas (49 anos), para indicar-se o tempo empregado na obra da restauração. Estas sete semanas são, contudo, parte das sessenta e nove semanas (483 anos) que deviam estender-se até o Messias, o Ungido. Cristo foi ungido no ano 27 da nossa era, por ocasião do Seu batismo (Mat. 3:13-17; Atos 10:38). No meio da septuagésima semana (ano 31), Cristo foi crucificado, ou ‘desarraigado’, o que determinou o tempo em que os sacrifícios e oblações do santuário terrestre deveriam cessar (Dan. 9:26 e 27). Os três e meio anos restantes desta semana chegam ao ano 34, ou ao apedrejamento de Estêvão, e à grande perseguição da Igreja de Jerusalém que se seguiu (Atos 7:59; 8:1). Isto assinala o final das setenta semanas, ou 490 anos, concedidos ao povo judeu.

“Ora, as setenta semanas fazem parte dos 2300 dias; e como elas chegam até ao ano 34, os restantes 1810 anos do período de 2300 dias-anos devem atingir o ano 1844, em que a obra do juízo, ou purificação do santuário celestial, devia começar (Apoc. 14:6 e 7). Por este tempo começaram os pesquisadores da Palavra de Deus a ter compreensão especial de todo o assunto do santuário e da obra sacerdotal ou mediadora que Cristo nele executa.
“Quatro grandes eventos se acham, portanto, localizados por este grande período profético; o primeiro advento de Cristo, Sua crucificação, a rejeição do povo judeu como nação, e o início da obra do juízo final.” – Estudos Bíblicos, pág. 205.

Guilherme Miller era o mais velho dos dezesseis filhos de um soldado da guerra revolucionária americana. Nasceu em 15 de Fevereiro de 1782. Morava em uma região de Nova Iorque, ao sul do Lago Champlain, no distrito de Low Hampton. Casou-se em 1803 com a srta. Lúcia Smith. Foi alcaide, juiz de paz e xerife comissionado. Cansado da política, resolveu fazer carreira militar. Quando engajou no exército, prenunciava a guerra de 1812. “Recebeu o posto de tenente de milícia em 1810, passou a capitão dos voluntários, ao começar a guerra, e pouco mais tarde ingressou no exército regular com o posto de primeiro tenente.” – Fundadores da Mensagem, Everetti Dic, pág. 17.
O avô de Miller, Phelps, e seu tio, Eliú Miller, eram Pastores Batistas. Seu tio pastoreava a Igreja Batista de Low Hampton, onde Miller passou a frequentar assiduamente.

Desde a infância, Miller ouvira de religião, porém nunca se interessara por ela. Sempre foi, no entanto, um menino ensinado a respeitar as Escrituras. Era o garoto Miller voltado para a leitura; muitas vezes, enquanto a família se recolhia, ficava lendo “livros emprestados, diante de uma luz proveniente da resina de pinheiro. Mais tarde, passou a frequentar a biblioteca pública, discursava no dia da independência e ajudava seus vizinhos na composição de suas cartas.”

Em contato com deístas de sua comunidade, que lhe colocaram nas mãos obras de Voltaire, Hume e Paine, escritores deístas (crença que Deus é apenas uma força infinita), Miller, embora crendo em um Ser Supremo, que a tudo criara, tor-nou-se também deísta. Porém, em 1816, um ano após ter deixado o exército, decidiu estudar a Bíblia profundamente. Adquiriu a chave bíblica de Crudens, e, a partir de Gênesis começou comparando texto com texto. Aproveitava todos os minutos vagos, pela manhã, antes de tirar o leite, e à tarde, após ter deixado o arado, até que um dia ele leu na Bíblia:
Daniel 8: 14
“E ele me disse: Até 2300 tardes e manhãs e o santuário será purificado.”
Este texto mudou a vida de Guilherme Miller.
Miller decidiu decifrar este enígma. Dramaticamente intensificou seus estudos, até que achou, com toda sinceridade, começar esta profecia no ano 457 a.C.
Havia por esta época a crença de que a Terra era o santuário. Miller então presumiu que a purificação do santuário seria a purgação da Terra pelo fogo, semelhante à varredura realizada pelas águas nos dias de Noé.

Foi em 1818, depois de 2 anos de profundo estudo, que Miller chegou à estarrecedora conclusão que Cristo voltaria “mais ou menos no ano de 1843”. Portanto, como cria, 25 anos o separava do final de todas as coisas. E agora, o que fazer? E os outros? Deviam ser advertidos? Miller passou 5 anos examinando sua interpretação profética para certificar-se de que não estava enganado. Criou todas as objeções possíveis para combatê-la e nada o dissuadiu de sua fé. Ouça isto:
“Muito tempo depois ele declarou ter encontrado mais objeções do que seus oponentes apresentaram mais tarde.” – Fund. da Mens. Everetti Dic, pág. 23.
“Uma voz, qual voz de Deus, ardia na alma de Guilherme Miller. Vá, diga-o ao mundo. Tremendamente lutou ele por mais de 13 anos com esta voz, até que “a convicção se tornou insuportável no ano de 1831.”
Miller, pressionado pela intermitente voz do seu subconsciente: “Vá, diga-o ao mundo”, tomou uma decisão. Ajoelhou-se e orou:
“Ó Deus, Tu sabes que eu não sou pregador; Tu sabes que não posso ir. Não posso, não posso... Mas se Tu, meu Pai, quiseres que eu vá, farei um pacto conTigo. Se Tu abrires o caminho... o que eu quero dizer é o seguinte: Se Tu mandares um convite para eu pregar, então... eu irei.”
Miller levantou-se aliviado, dizendo:
“Agora eu terei paz. Se eu for convidado, saberei que Deus me chamou. Mas não é provável que alguém virá rogando a um velho camponês de 50 anos para pregar sobre a segunda vinda de Cristo.”
Não passaram 30 minutos após a oração, quando alguém bate à porta de Miller excitadamente. Era seu sobrinho Irving, que caminhara 25 quilômetros, naquele Sábado de manhã, para dar-lhe esta notícia:
“Tio Miller, saí antes do café para dizer-lhe que o nosso Pastor Batista em Dresden não nos poderá falar amanhã. Papai mandou-me convidar o senhor para ir pregar sobre as coisas que o senhor vem estudando na Bíblia. O senhor pode ir?”
Miller tentou retroceder trêmulo; porém, era a resposta que imaginava, o Senhor lhe dera. E assim, milhares de pessoas achavam admissível crer que Miller foi chamado por Deus tão certamente quanto o foram Pedro e Tiago.

Após o almoço, Miller partiu e pregou durante toda a semana na Igreja Batista de Dresden. Nesta semana, apenas duas pessoas de 13 famílias não aceitaram a mensagem de Miller. Ao regressar ao lar, encontrou, surpreendido, o convite de um ministro para pregar em sua igreja, e este, nada sabia de sua conferência na Igreja de Dresden. Assim, “o pacto com o Senhor estava duplamente ratificado”, imaginava Miller.

Daí para a frente Miller não teve mais descanso. Convites vinham de todas as partes, de maneira que não podia atender a todos. “Aonde ia, afluía grandes assistências, havia enormes e sinceros reavivamentos. Miller preferia pregar em igrejas pequenas, nos campos e aldeias, até o final de um culto em Exeter Nova Hampshire, no ano de 1839, quando conheceu Josué Vaughan Himes, Pastor da Igreja Cristã da Rua Chardon, em Boston, que, impressionado com a sua mensagem, disse-lhe que, as grandes cidades como Boston, Nova Iorque e Filadélfia, deviam ser advertidas. Nesta ocasião, o Pastor Himes levou Miller para pregar em sua igreja. Miller pregava dois sermões diários, e ainda era necessário fechar as portas, ‘sempre com uma multidão do lado de fora.’”
Miller pregou sete séries de conferências em Boston, antes de 1844. Miller e Himes empreenderam uma campanha evangelística, pois todas as portas das cidades da América se abriam ansiosas por ouvir a mensagem da volta de Jesus. O povo devia ser alertado. Himes tornou-se o gerente e agente de promoção evangelística.

Em poucos meses Miller pregou em quase todas as cidades dos Estados Unidos. Ficou famoso através da nação inteira. Miller era um homem simples, nunca disse possuir grandes conhecimentos ou alguma inspiração sobrenatural. Sua mensagem era fundamentada na Bíblia, conforme o entendimento que possuia.

O Dr. Armitage, autor do livro A História dos Batistas, de quem Miller era amigo, assim o descreve:
“Ele era um homem forte, de cabeça um tanto larga, com testa alta, de olhar macio e expressivo, e as inflexões de sua voz indicavam uma devoção das mais sinceras... Ele exercia uma benéfica influência em todos os que o cercavam, pelas muitas virtudes e pelo imaculado caráter.”

Assim era o bom Miller. Íntegro, amante das coisas de Deus. Sincero em sua fé. Sua mensagem trazia despertamento. “Um reavivamento sucedia a outro. Metodistas, Congregacionalistas e Batistas, todos o aclamavam. O entusiasmo continuava nas cidades após as conferências. Sinos repicavam, chamando o povo todos os dias, como se fosse domingo. Muitos bares viraram salões de reuniões. Havia grupos de oração organizados para todas as horas do dia nas várias denominações. Nestes quatro anos, a Igreja Metodista adicionou 40.000 membros e os Batistas mais 45.000. Ministros de outras igrejas afluíam para o movimento... Outro proeminente pregador Metodista era Josias Litch, que só aceitou o milerismo depois de verificar que a mensagem não contrariava o Metodismo, e este acabou escrevendo um livro sobre as profecias de Daniel. Havia Carlos Fitch, Congregacionalista, Pastor em Boston, e bom organizador. Foi ele quem desenvolveu o uso de cartazes e gráficos para os ministros que trabalhavam sob a direção de Miller. Um gráfico dos mais importantes era justamente aquele que mostrava as profecias convergindo no ano de 1843. E havia a imagem de Daniel 2 que se desmontava. Além destes havia tantos – ninguém sabe quantos. Há indícios que havia entre ministros ordenados e leigos, um total de 1500 a 2000 pregadores empenhados nesta campanha de advertência da iminente volta de Cristo. Dos 174 ministros bem sucedidos, cerca de metade era Metodista, uma quarta parte era Batista, e o resto dividido entre Congregacionalistas Cristãos, Presbiterianos, Episcopais, Luteranos, Quakers e outros.” [...]

“Não se pode enfatizar demasiadamente o fato que Miller não foi o único milerita. Um grande número de homens capazes e abençoados, com mais instrução que o próprio Miller, o apoiavam. O milerismo não foi de maneira alguma o movimento de um fazendeiro fanático. A presença de tantos ajudantes tornava necessário que se realizasse reuniões de obreiros. Muitas dessas ‘conferências gerais’ – como eram chamadas – foram convocadas pelos líderes mileritas, e a primeira se realizou na capela da Rua Chardon, em Boston – a igreja de Himes – no mês de Outubro de 1840.
“Os Metodistas haviam usado o sistema de reuniões campais desde 1800. A assistência de Miller era enorme. A Conferência Geral de Maio de 1842 votou 3 reuniões campais adventistas (mileritas) para aquele ano. A segunda, realizada em Kingston do Leste, Nova Hampshire, em 28 de Junho, e sob os cuidados de Josué V. Himes, teve 10.000 participantes. O famoso poeta John Green Leaf Whittier assistiu e mais tarde escreveu sobre a eloquência dos pregadores e a impressionante linguagem simbólica das Escrituras, e sobre a imagem do sonho de Nabucodonosor e os animais do Apocalipse. Descrevia o círculo das tendas brancas, a fumaça das fogueiras, qual incenso, os rostos compenetrados virados para o orador. Estas reuniões nas florestas eram sempre uma oportunidade social onde os amigos se encontravam e se entristeciam no fim da última reunião. O povo demorava-se em partir, receando não mais se encontrar neste mundo. Fazia promessa para o encontro na Nova Terra, onde não mais se diria adeus.

“O sucesso da reunião campal de 1842 fez com que os mileritas levantassem dinheiro suficiente para mandar confeccionar a maior tenda da América, e chamaram-na carinhosamente ‘Tenda Grande’. O mastro principal tinha quase 20 metros de altura, e o espaço coberto tinha quase 40 metros de largura. Cabiam 4.000 pessoas sentadas, 2.000 em pé, e em bom tempo, mais 4.000 sentados do lado de fora. Em menos de 30 dias da encomenda a ‘Tenda Grande’ foi paga, armada e ocupada. Não havia tempo a perder, visto restar apenas 1 ano mais ou menos para a volta de Jesus. O povo quedava atônito diante da rapidez com que se desmontava e armava novamente em outro local esta tenda. Colocada em uma cidade, o público apostava que não se encheria, porém, logo se espantavam, vendo as multidões que se acotovelavam para entrar. As estradas de ferro punham trens extras, para atender as cidades vizinhas... Lembrem-se que a Conferência Geral votou 3 reuniões para 1842. Realizaram-se 31. Em 1843, houve 40 campais. Em 1844, houve 54. Só a estes agrupamentos campais foram mais de meio milhão de pessoas. Havia outros milhares em reuniões campais sem a grande tenda, e isto não contando a assistência de centenas e mais centenas das séries em salões. Logo se vê que a mensagem do advento não foi pregada numa insignificante praça qualquer.

“Os mileritas eram editores, e Himes era quem cuidava disto. ‘A revista O Brado da Meia Noite’ era vendida à razão de 10.000 cópias por dia em Nova Iorque, Boston, Baltimore, Búfalo, Rochester, Filadélfia, Montreal e Cincinatti. Havia ainda Boas Novas, Crônicas Adventistas (mileritas), Trombeta do Jubileu, Alarme de Filadélfia, Voz de Elias, Sinais dos Tempos, Arauto Adventista (milerita), Brado da Meia Noite do Sul, Brado da Meia Noite do Oeste, Brado da Meia Noite Verdadeiro, e muitos outros livros, naturalmente. Foram distribuídos um milhão de folhetos só no ano de 1843. De 1839 a 1844 saíram mais de 8 milhões de peças de literatura milerita. Admitimos, nem todos concordavam com Guilherme Miller, e muitos não o levavam à sério. Alguns diziam que ele estava atrás do dinheiro. Um deputado propôs uma lei adiando o fim do mundo até 1860. Um engraçado ofereceu vender poltronas numeradas num grande salão, prestes a deixar a Terra – preço da passagem, 200 dólares. Manchetes maliciosas apareceram, tais como: ‘Desmascarados os Sumo-Sacerdotes de Miller’, caricaturas como ‘A Grande Ascenção do Tabernáculo de Miller’, mostrando o Pastor Himes agarrado pelo diabo, que dizia: ‘Não Josué, você fica."

Os meses avançavam rapidamente, o povo é sacudido com a mensagem da volta de Jesus. Os evangélicos que não aceitavam a mensagem de Miller desdenhavam do grande movimento que abarcava o mundo todo. Os cálculos de Miller levaram-no próximo de 1843, e neste ano ele publicou uma “carta-aberta” num dos maiores jornais de Nova Iorque dizendo que jamais dissera uma data exata, preferindo qualquer dia entre 21 de Março de 1843 à 21 de Março de 1844 (tomando por base o calendário judaico). Miller compreendia que o ano de 457 antes de Cristo começou em 21 de Março, fazendo com que o último ano dos 2300 anos teria que começar também em 21 de Março de 1843. Assim, nesta data de 1843, iniciar-se-ia o “ano do fim do mundo”. Este ano chegaria ao fim só em 1844 (21.3.1844). Jesus poderia vir em qualquer um dos dias deste ano. Os camponeses, os comerciantes, as donas de casa, todos tinham sido avisados. Muitos não acreditavam em Miller, mas, mesmo assim, estavam apreensivos. Exatamente 10 anos antes (12/11/1833) não tinham caído estrelas como flocos de neve? E agora em Fevereiro cortou o Céu um cometa flamejante tão grande que era visível de dia. Não seria isto um aviso do Céu? Até os céticos tremiam. Os jornais começaram a aparecer com artigos sobre toda espécie de coisas sobrenaturais. Tudo visto de verdade, e, às vezes, por grupo de pessoas. Júpiter com halo misterioso. Um cavalo com cavaleiro na Lua. Cruz preta numa luz vermelha. Música de algum ponto do Céu. E tudo isto relatado, não tanto por mileritas, como por incrédulos.

“No dia 29 de Fevereiro caiu o que parecia partículas de carne sangrenta numa cidade de Nova Jersey. As roupas tiveram que ser relavadas. Em 23 de Abril alguns rios estavam cobertos de um pó parecido com enxofre. Multidões vinham ver... Mas a despeito de tudo isso, ‘o ano do fim do mundo’ passou e Jesus não voltou.” – Um desânimo geral acometeu a todos. Em uma reunião campal realizada em Agosto de 1844, na cidade de Exeter, justamente onde Himes conhecera Miller, José Bates, o ex-capitão-de-mar, “procurou animar os crentes que já nesta altura mostravam desalento. O capitão Bates aceitara de todo o coração a esperança do advento, a ponto de investir o que possuía na promulgação da mesma.”

Os mileritas aguardavam a volta de Jesus, segundo os cálculos matemáticos, até mais ou menos o dia 21 de Março de 1844, que era o final do ano judaico. Ao passar esta data, meio atordoados, reexaminaram os cálculos, e, um dos mileritas, (SAMUEL S. SNOW) trouxe para os já desalentados mileritas duas importantes explicações animosas, a saber:
• O decreto de Artaxerxes “não saiu no princípio de 457, mas sim, no quinto mês daquele ano, segundo Esdras 7:8. Assim devemos estender o período cinco meses além de 21 de Março.”
• Assim como “a purificação do santuário dos judeus acontecia no dia da expiação do santuário, e este era o décimo dia do sétimo mês judaico, assim (dizia Snow) devemos esperar a purificação do santuário celestial no 10º dia do 7º mês” (22/10/1844).
Dessa forma, surgiu crepitosamente entre os mileritas o movimento chamado 10º dia do 7º mês que, na verdade, veio trazer alento ao já cansado Guilherme Miller. Mas, diga-se de passagem, ele nada teve com esta data fixa (22.10.1844), haja vista, estar na ocasião de seu surgimento, em viagens com Himes pelo Oeste.

A mensagem de 22 de Outubro, eletrizou os mileritas, que já eram conhecidos como o ‘Movimento do Sétimo Mês’. José Bates disse que as montanhas de granito de Nova Hampshire ecoaram com o clamor da meia-noite. O brado, qual maremoto movido por um furacão, alastrou-se para todas as cidades, vilas, povoados e campos. O pouco de fanatismo que havia derreteu-se perante o calor da nova mensagem. Guilherme Miller estudou meticulosamente esta nova mensagem, e escreveu uma carta entusiasmada a Himes, dizendo:
“Eu vejo a glória do sétimo mês que nunca vi antes. Já me sinto quase na mansão que meu Pai me dará. Glória, glória, glória, glória.”

Segundo se cria, menos de três meses separavam as pessoas do fim. O milerismo explodiu em manchetes em todos os jornais. Os próprios candidatos à presidência dos EUA daquele ano viram sua campanha empanada pelo fragor das campanhas mileritas. Terrível e solene hora de viver. “Fantástico clímax da história universal”. Aproximava-se o dia 22 de Outubro de 1844.
“Comerciantes fecharam suas portas, mecânicos e ferreiros suas oficinas, empregados deixaram seus trabalhos. Em todas as reuniões milhares vão ao pé do púlpito confessar-se e chorar. Grandes somas são dadas para que os pobres possam pagar suas dívidas. As Casas Publicadoras mandam embora os que dariam dinheiro porque já têm demais e os doadores ficam tristes ao verem recusados seus donativos. Nos campos, os fazendeiros para provarem sua fé, abandonaram suas ceifas. As batatas apodreceram no chão, e as maçãs nas árvores. Em Filadélfia uma alfaiataria colocou um cartaz: ‘Fechada em honra ao Rei dos reis que há de vir por volta de 22 de Outubro’.

Uma grande fábrica no Brooklin fechou as suas portas e dispensou os seus empregados na primeira semana de Outubro. Nas igrejas, grandes e pequenas, havia dificuldade em batizar tantos em tão pouco tempo. Numa cidade, Carlos Fitch batizou 127 pessoas em uma semana. Quatro dos maiores prelos correm dia e noite, produzindo ‘O Brado da Meia Noite’. Centenas de milhares de cópias são distribuídas nestas três semanas. Os correios e os trens estão abarrotados de pacotes de literatura. Os mensageiros correm.”

Aproxima-se o fim de todas as coisas e um frenesi geral toma conta de todos. Chega o dia 15 de Outubro, faltam sete dias; 16 de Outubro, faltam seis dias; 17, 18, 19 de Outubro... “Neste dia os prelos silenciam. As tendas são desmontadas e enroladas. Os pregadores voltam para seus lares. Josué V. Himes junta-se a Guilherme Miller. Aqueles que permaneciam no movimento aguardavam, com júbilo, a hora tão esperada. Entre eles estava a adolescente Ellen Harmon, ainda não a mensageira de Deus Ellen White, que mais tarde escreveu: ‘Estas eram as horas mais felizes da minha vida. O meu coração transbordava de expectação."

Em terrível suspense todos aguardavam os acontecimentos. Multidões que recusaram a advertência se perguntavam: “Será o fim?” Chegou finalmente o dia 22 de Outubro de 1844. “É uma manhã radiosa. Os mileritas estão reunidos em grupos grandes e pequenos; nos seus tabernáculos, nas igrejas, nos lares, nos cemitérios, ou em solene adoração ou jubiloso louvor. Em Low Hampton, Estado de Nova Iorque, os amigos mais íntimos de Guilherme Miller se reuniram com ele entre as árvores e pedras, atrás de sua residência. Estas pedras até hoje levam o nome de Rochas da Ascenção. Eles ali ficaram e vigiaram o dia todo, cada minuto mais ansioso.”

Terrível e grandiosa perplexidade solapou os mileritas. A esperança tanto tempo acalentada, desvanecia agora placidamente. O dia 22 de Outubro de 1844 passou também, sem nada ocorrer, “o grande movimento cambaleou.” A decepção dos mileritas foi um golpe fatal nas esperanças acalentadas por longo tempo. Mas, “o grande desapontamento não provou que o movimento era falso”. Esse desapontamento foi profetizado com clareza meridiana por João em Apocalipse 10:9-11 (confirme lendo o capítulo seguinte deste livro). Os mileritas erraram apenas em parte.

O mesmo ocorreu com os discípulos quando, caminhando na estrada de Emaús (Luc. 24:13-35), absortos com os acontecimentos do Calvário. Embora convivendo intimamente com o Mestre por três anos, desconheciam muitos aspectos das profecias messiânicas. Esperavam que o Rei nascesse em um palácio, eis que nasce numa manjedoura. Ansiavam que Ele montasse num cavalo branco, empunhasse a espada e livrasse Israel do jugo romano e, Ele afirma: “Não vim para ser servido, mas para servir” (Mat. 20:28). E o golpe fatal é desferido em suas esperanças de domínio universal quando Jesus morre em plena mocidade. Haverá maior desapontamento que este?
Há que ressaltar o fato de que o desapontamento dos mileritas foi profetizado e como tal teria que ocorrer. Quanto aos discípulos... Negligência?!

Pois bem, depois de “abertos” os olhos, os discípulos “corrigiram seus defeitos e pregaram a Cristo com renovado vigor. Os mileritas estavam prestes a fazer a mesma coisa. Mas naqueles dias não podiam compreender isso. Através daquela noite os mileritas oraram e choraram.”
Outro milerita, Hiran Edson, orou e estudou profundamente naquela amarga hora de desapontamento, com alguns amigos que haviam passado a noite com ele. Edson escreveu mais tarde: “Nós ainda tivemos esperanças até o relógio bater meia-noite. Com isso o dia havia passado e com ele as nossas esperanças. A nossa mais acalentada esperança se desmoronou.”

“Este pequeno grupo, como os outros, continuou a orar, e perto do raiar da nova manhã, sentiram todos um certo alívio. Ainda incapazes de compreender o que acontecera, sentiram uma total segurança que Deus existe, e que Sua palavra era certa e verdadeira. Depois do desjejum, Hiran Edson disse aos outros: ‘Vamos sair para confortar os nossos irmãos com a nossa nova certeza.’ E assim fizeram, saindo a pé e atalhando por um milharal, no meio do qual subitamente o irmão Edson parou, com seu rosto virado para cima. Pareceu-lhe uma visão do terceiro Céu. Via ele Cristo entrar ‘para dentro do véu’ no santuário celestial justamente como os mileritas sabiam que Ele ia fazer naquele dia da expiação, 22 de outubro. Mas (escreveu Edson mais tarde), ‘eu vi distinta e claramente que em vez de nosso Sumo-Sacerdote sair do Santíssimo para ir ao mundo no décimo dia do sétimo mês, no fim das 2300 tardes e manhãs, Ele pela primeira vez entrava na segunda parte do santuário do Céu, e daí Ele teria um importante trabalho a fazer antes de voltar à Terra."

Alguns meses se passaram, profundo e acurado estudo se fez a respeito desta importante visão, e cerca de 50 mileritas aceitaram esta nova luz dada pelo Senhor. Este grupinho de fiéis testemunhas, desapontadas, mas não desiludidas; foram aos poucos recebendo novas luzes. E assim, aceitaram o Sábado como em vigor na dispensação cristã. Este mandamento da imutável Lei de Deus foi introduzido no movimento pela senhora Raquel Preston, egressa da Igreja Batista do Sétimo Dia, aceito e pregado veementemente por José Bates, e mais tarde ratificado através de visões celestiais, por Ellen G. White. Porém, foi T.M. Preble, o primeiro a comunicar esta grande verdade por meio da imprensa aos mileritas do advento.

Aceitaram esses irmãos a Reforma de Saúde, abandonando o uso de carnes imundas, cigarro e bebidas alcoólicas, bem como todos os hábitos nocivos à saúde. Aceitaram a mortalidade da alma, como ensina a Bíblia. Aceitaram o Dom de Profecia, como estava sendo manifestado por Ellen Harmon, e assim em 1.863, aquele grupinho (cerca de 50 pessoas) tornou-se a Igreja Adventista do Sétimo Dia, este complexo eclesiástico que circunda o mundo, hoje.

Na verdade, Guilherme Miller e as pessoas que creram e pregaram o preparo para a vinda do Senhor em 1844 não tinham em mente fundar outra igreja. Desejavam tão somente levar a mensagem da volta de Cristo às igrejas das quais eram membros. Entretanto, os pastores destas igrejas não somente recusaram esta mensagem, como pediram aos mileritas para abandonarem suas congregações.
Após o desapontamento, alguns voltaram às suas igrejas de origem, outros desiludidos abandonarm a fé, porém, este grupinho permaneceu decidido a firmemente estudar a Bíblia e seguir obedecendo a cada luz dada por Deus.

Assim foi que, um “pregador” da Igreja Batista, Guilherme Miller, entendendo ser a Terra o santuário, acreditou fosse a volta de Jesus o final do cumprimento profético de Daniel 8:14. Lançou assim, sem o saber, os fundamentos de uma igreja a que Deus dispensaria especial atenção, restaurando-lhe o Dom de Profecia através de Ellen G. White e cujas orientações fizeram que as verdades lançadas por terra (Dan. 8:12) fossem restauradas a seu devido tempo.
E Miller? Que lhe aconteceu?

“Ele construiu uma pequena capela junto das árvores e perto das Rochas da Ascenção. Por um arranjo especial a Igreja Adventista hoje é a proprietária, em sociedade com outra, desta capela. Apesar de abandonado por seus seguidores, Miller, nunca abriu mão de sua esperança na segunda vinda de Cristo... Mas ele estava velho e cansado demais para entender a nova luz. Quase cego, paralisado e exaurido pelos esforços sobre-humanos, ele estava prestes a morrer.”

Ao depôr as armas, este soldado da cruz, fiel servo do Deus Altíssimo, escreveu para “exprimir sua gratidão aos seguidores que tão fielmente lhe haviam permanecido ao lado” as palavras seguintes:
“Desejo agora lembrar-me com gratidão de todos os que me assistiram nos esforços para despertar a igreja e levar o mundo a ter intuição do terrível perigo em que está... muitos de vós tendes sacrificado bastante vosso bom nome, antigas relações, lisonjeiras perspectivas de vida, ocupação e bens; e comigo tendes sofrido zombaria e injúrias daqueles a quem era desejo de nossa alma prestar benefício. Contudo, nenhum daqueles em quem depositei minha confiança tem, quanto eu saiba, se queixado ou murmurado. Tendes alegremente suportado a cruz, desprezado a ignomínia, e comigo estais esperando e aguardando o Rei em toda Sua glória.”

Sob os fogos das críticas, do motejo e do escárnio do mundo, principalmente dos membros das igrejas que rejeitaram a mensagem milerita, por ter guiado o povo num movimento que findou em desapontamento, Miller escreveu a Josué V. Himes, em 10 de novembro de 1844:
“Prezado irmão Himes: Tenho ansiosamente aguardado a bem-aventurança, e isso na confiança de realizar as coisas gloriosas que Deus falou de Sião. Sim, e embora tenha sido duas vezes desapontado, ainda não estou decepcionado ou desanimado. Deus tem estado comigo em espírito, e me tem confortado. Tenho agora, muito maior evidência de que creio na Palavra de Deus; embora rodeado de inimigos e de escarnecedores, meu espírito está, no entanto, perfeitamente calmo, e minha esperança na vinda de Cristo é tão firme como sempre. Fiz somente o que depois de anos de madura consideração achei ser meu dever executar. Se errei, foi do lado da caridade, do amor aos meus semelhantes, de minha convicção do dever para com Deus. Não podia consentir em prejudicar meus semelhantes, mesmo ante a suposição de que o evento não se desse no tempo determinado, pois nosso Deus ordena buscá-Lo, vigiar, esperá-Lo e estar prontos. Assim, caso eu pudesse, de qualquer modo, e de acordo com a Palavra de Deus, persuadir os homens a crerem num Salvador crucificado, ressurreto e prester a vir, julgava que isso exerceria certa influência sobre o bem-estar e a felicidade eterna dos tais...

“Irmãos, firmai-vos; a ninguém permitais tomar-vos a coroa. Fixei minha mente noutro tempo, e aqui quero ficar até que Deus me dê mais luz – esse é hoje. Hoje, e hoje, até que Ele venha, e eu veja aquEle por quem minha alma anela.”
E assim, este servo de Deus demonstrava seu impoluto caráter e uma convicção tão sincera que o levou a errar por amor. Certo, porém, é que, desde aquela manhã de Sábado de 1831, sem dúvida, Deus o havia usado de maneira poderosa para chamar a atenção para as Suas profecias, e sacudir e reavivar o mundo. Sob seu ministério a Igreja Metodista aumentou em 40.000 membros. A Igreja Batista, em 45.000, e o grupo dele em 50.000 membros. Apesar de a enfermidade, o cansaço e as injúrias não permitirem Miller prosseguir na descoberta de toda a verdade, nunca entendendo perfeitamente a purificação do santuário, nunca se deleitando na guarda do Sábado, por outro lado ele agarrou-se às promessas do segundo advento. A sua lápide leva o texto que tanto significava para ele. “A visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado... se tardar, espera-O, porque certamente virá, não tardará.” Hab. 2:3. – (Adaptação da História de Guilherme Miller de C. Mervyn Maxwell, da peça: “Eis, Ele vem...”) [...]

EIS OS QUE MAIS SE DESTACARAM NO MILERISMO:
Pastor José Marsch – Igreja Cristã
Pastor Erlon Galuscha – Igreja Batista
Pastor Samuel S. Snow – Igreja Congregacional
Pastor Tiago White – Igreja Cristã
Pastor Josué Himes – Primeira Igreja Cristã de Boston
Capitão José Bates – Igreja Congregacional
Pastor Hary Jones – Igreja Congregacional
Pastor Charles Fitch – Primeira Igreja Congregacional Livre de Boston
Pastor Josias Litch Nova – Igreja Metodista Espiscopal da Inglaterra
Pastor George Storss – Igreja Metodista
Pastor Henry Dana Ward – Igreja Episcopal
Pastor N.N. Whitting – Igreja Batista

RECADO
Este capítulo visou expor suscintamente o surgimento dos Adventistas do Sétimo Dia, para que todos saibam, de uma vez por todas, que os Adventistas do Sétimo Dia, muito menos Ellen G.White, Tiago White, José Bates, etc., nunca marcaram datas para a volta de Jesus.
Graças a Deus, muitos ministros idôneos, e escritores dos mais variados ramos protestantes, reconhecem esta verdade.
Gostaria que o irmão Abraão de Almeida, que escreveu em seu livro – O Sábado, a Lei e a a Graça, pág. 89, que marcamos nove datas para o retorno de Jesus, soubesse que não falou a verdade!
Portanto, trata-se de uma deslealdade com seus leitores. E seu prefaciador, irmão Gustavo Kessler, perdão, escorregou na esparrela do autor.
Houvesse possibilidade, diria também ao Pastor Sebastião Angélico de Souza, Pastor Antenor Santos de Oliveira, ao Reverendo Epaminondas Moura, Pastor Rinaldi, Pastor Paulo Romeiro, Pastor Paulo Pimentel, Dr. Ubaldo Torres de Araújo, Professor Antonio Gilberto, do Instituto Bíblico Pentecostal, e quiçá, a tantos outros, que escreveram e escrevem obras “demolidoras” contra os Adventistas, com profundo desconhecimento de causa; sim, eu diria: Isso não é bom! Não é justo! Não é cristão! Perdão!

ORGANIZAÇÃO ADVENTISTA
• Um determinado número de pessoas se juntam para formar um grupo, e posteriormente uma igreja.
• Uma ou mais igrejas e grupos formam um Distrito Pastoral, que é o território onde atua o Pastor Distrital.
• Um conjunto de Distritos Pastorais, dentro de uma área geográfica, forma a Associação ou Missão.
• O conjunto de Associações ou Missões, dentro de uma determinada área geográfica mais ampla, forma a União.
• O conjunto de Uniões, dentro de um Continente ou parte dele, forma uma Divisão.
• E, por fim, as Divisões, que atualmente são em número de 11, fazem parte integrante da Associação geral, órgão que lidera a Igreja em todo o mundo, com sede na capital dos Estados Unidos da América.

Informações extraídas de “Orientações Para o Novo Membro, pág. 23-24. Federação Sul da IASD”.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A CURA DA AIDS

A cura da Aids
A ciência já sabe como dar o golpe final no vírus HIV: expulsá-lo do corpo humano. Conheça os bastidores da descoberta médica mais importante dos últimos 25 anos - e as histórias de pessoas que já foram curadas da doença
(POR Alexandre De Santi, Bruno Garattoni, Valquíria Vita)

Ele é rudimentar. É uma bolinha minúscula, de 130 nanômetros, com apenas nove genes dentro. O vírus HIV não se compara, nem de longe, à sofisticação de uma célula humana (que tem 20 mil genes) ou mesmo uma bactéria (500 genes). Mas ele mudou a história da humanidade: espalhou pânico, transformou hábitos, arrasou países africanos, matou 30 milhões de pessoas. O homem respondeu criando os antirretrovirais, remédios que contêm a multiplicação do vírus e evitam que o soropositivo morra de Aids. Hoje, 8 milhões de pessoas têm as vidas preservadas por esses medicamentos. Eles não são uma cura, pois não eliminam o vírus - que continua escondido no organismo.

Mas essa história está prestes a dar uma virada dramática. A ciência finalmente descobriu como dar o último passo: arrancar o HIV dos lugares onde ele se esconde no corpo humano. No último ano, vários grupos de pesquisadores comprovaram que é possível expulsar o HIV de seus esconderijos e jogá-lo de volta na corrente sanguínea - de onde ele poderia ser eliminado, livrando completamente o organismo do vírus. Ou seja, cura. Os pesquisadores mantêm cautela, mas a possibilidade tem gerado euforia em setores da comunidade científica. Parece que, depois de passar as últimas décadas tomando dribles do vírus, a humanidade finalmente pode ter descoberto uma forma de encurralá-lo. "Há dois anos, se alguém falasse em cura, seria considerado maluco. Isso era considerado impossível", diz John Frater, imunologista da Universidade de Oxford e um dos líderes do Cherub (Collaborative HIV Eradication of Viral Reservoirs), projeto que reúne cinco universidades inglesas num estudo contra o vírus. "Estou genuinamente entusiasmado", afirma.

A técnica de expulsão do HIV é a inovação científica mais importante, e instigante, das últimas décadas. Mas não é a única novidade na luta contra o vírus. Há pessoas que, por meio de outros procedimentos médicos, foram curadas da Aids. Em alguns casos, elas desenvolveram resistência ao HIV; em outros, o vírus desapareceu do organismo. Você vai conhecer essas histórias a seguir.

ONDE O VÍRUS SE ESCONDE
Como o HIV é muito pequeno, penetra facilmente nas mucosas genitais durante o sexo, e delas vai para a corrente sanguínea, onde encontra sua vítima: as células T, peças centrais do sistema imunológico. O vírus penetra nessas células e as escraviza, transformando-as em máquinas de produzir HIV. É um processo diabolicamente eficiente, que gera 100 bilhões de novas cópias do vírus por dia. No começo, a pessoa não sente nada, no máximo febre e um mal-estar discreto. Mas as células T vão morrendo até que, após alguns anos, o sistema imunológico fica comprometido - e a Aids se instala.

Existem dois tipos de células T: as ativas e as inativas. É como no exército. Alguns soldados estão de prontidão nos quartéis e outros vivem na reserva, podendo ser convocados em caso de emergência. O HIV infecta tanto as células ativas quanto as inativas. O problema é que os medicamentos antirretrovirais só agem nas células ativas. Nas células inativas, que vivem numa espécie de hibernação, o remédio não faz efeito. Isso porque essas células não contêm um montão de HIV dentro. Na verdade, é algo mais assustador ainda.

Elas têm o vírus HIV copiado dentro do próprio código genético. Isso significa que, conforme vão sendo ativadas pelo organismo (um processo natural, que acontece ao longo da vida de todo mundo), começam a se reproduzir - e fabricar enormes quantidades do vírus. É por isso que os medicamentos antirretrovirais não curam a Aids. As células T inativas funcionam como um enorme reservatório de vírus. Ele até vai sendo esvaziado aos poucos, na medida em que as células inativas vão sendo repostas pelo organismo e o vírus vai sendo eliminado pelos medicamentos, mas isso leva uma eternidade: segundo estimativas, pelo menos 60 anos. Ou seja, o portador de HIV tem mesmo de passar a vida toda tomando antirretrovirais (que provocam efeitos colaterais como hipertensão, diabetes e danos aos rins, fígado e ossos).

A menos que exista uma forma de esvaziar à força os reservatórios de HIV.

Essa possibilidade começou a se desenhar em outubro de 2006, quando o governo americano autorizou a venda de um novo medicamento, chamado vorinostat. Esse remédio foi criado para tratar o linfoma cutâneo de células T, um câncer no sistema imunológico. Esse câncer se manifesta na forma de lesões na pele, mas se origina no sangue. Ele é tratado com quimioterapia. Mas a quimioterapia só funciona bem com tumores que se multiplicam bastante (porque ela age na reprodução celular). E o linfoma cutâneo não é assim. Por algum motivo, ele faz o corpo aumentar a produção de histona deacetilase (HDAC), um tipo de enzima que faz as células pararem de se reproduzir. E isso reduz o efeito da quimioterapia. O vorinostat bloqueia a ação dessa enzima, colocando o câncer de novo em estado de multiplicação - e vulnerável à quimiotepia. Atiçar o câncer é uma estratégia arriscada. Por isso, o vorinostat só é usado em casos graves, nos quais dá resultado (70% dos pacientes respondem a ele).

A infecção - e o caminho da cura
O segredo está em acordar células dormentes, onde o HIV fica escondido

1. Contaminação
O HIV entra no organismo. Ele se instala nas células T, que são responsáveis por coordenar a ação do sistema imunológico. Há dois tipos de célula T: ativa e inativa. O vírus invade ambos os tipos.

2. Invasão do DNA
O HIV entra na célula e se infiltra no núcleo dela, onde está o DNA. As células ativas se multiplicam - e, com isso, multiplicam o HIV.

As células inativas não se multiplicam. Graças à ação de uma enzima, elas ficam dormentes (e o vírus também).

3. O tratamento tradicional
Os medicamentos antiretrovirais, usados hoje, conseguem bloquear a progressão do HIV - e controlar a Aids. Mas não agem nas células inativas, onde o vírus fica escondido. Se a pessoa parar de tomar os antirretrovirais, o HIV "escondido" acorda. E a Aids volta.

4. A nova tática
Um novo tipo de medicamento é capaz de fazer as células inativas acordarem: e botarem para fora o HIV que trazem escondido. O vírus é jogado na corrente sanguínea.

5. A eliminação
Os antirretrovirais agem sobre o HIV, permitindo que ele seja eliminado.Os reservatórios vão sendo esvaziados, até não restar mais vírus.


Mais tarde, alguns pesquisadores descobriram que o vorinostat também tinha outro efeito: ele desperta as células T adormecidas. E isso é valiosíssimo no combate ao HIV. Porque quando essas células acordam, elas começam a se reproduzir e jogar vírus no sangue - onde ele fica vulnerável à ação dos remédios antirretrovirais. O HIV é eliminado, as células T morrem e, se esse processo for repetido por tempo suficiente, é possível eliminar todas as células infectadas - e sacar o HIV do organismo.

David Margolis, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), foi o primeiro cientista a testar esse procedimento. "Tive a ideia de acordar o HIV e empurrá-lo para fora do corpo, permitindo a erradicação do vírus", diz. Depois de obter resultados positivos em testes de laboratório, ele ficou três anos pedindo permissão às autoridades de saúde americanas para fazer um estudo em humanos. O vorinostat tem efeitos colaterais, como fadiga, diarreia, hiperglicemia e anemia. Em casos raros, pode levar à formação de coágulos no sangue, o que é perigoso. Mas o grande receio era quanto ao vírus da Aids. Afinal, acordar células dormentes e estimulá-las a produzir HIV envolve risco. E se o vírus surgisse com alguma mutação, e os medicamentos antirretrovirais não fizessem efeito contra ele? Os pacientes seriam inundados pelo HIV, e morreriam.

Mesmo assim, Margolis obteve autorização para fazer o teste em oito portadores de HIV, que receberam vorinostat. Os resultados foram publicados em 2012 - e reanimaram o interesse da comunidade científica. Uma única dose de vorinostat aumentou em mais de quatro vezes a quantidade de vírus no sangue dos pacientes. Ou seja, a tese se comprovou. Funcionou. O remédio conseguiu o que era considerado impossível: expulsar o HIV de seus reservatórios (e fez isso sem provocar efeitos colaterais relevantes). Mas foi um estudo de breve duração. Agora, Margolis está realizando uma nova experiência, na qual os pacientes recebem mais doses de vorinostat, durante mais tempo.

Pelo menos um estudo, feito pela Universidade de Aarhus (Dinamarca) em parceria com a Universidade do Colorado (EUA), comprovou o mesmo efeito em células humanas testadas em laboratório. "Ainda temos um longo caminho, mas acredito que a cura para o HIV seja alcançável", diz Ole Søgaard, líder do estudo dinamarquês. Søgaard está finalizando um novo estudo, desta vez dando o remédio diretamente a pacientes, e publicará os resultados nos próximos meses. Pesquisadores da Universidade de Monash, na Austrália, também estão testando o vorinostat e devem publicar resultados em breve. A equipe pioneira, de David Margolis, continua aperfeiçoando a técnica - em estudos que envolveram cientistas da Universidade da Califórnia e uma pesquisadora da multinacional farmacêutica Merck.

Ainda há dúvidas sobre o procedimento. Qual a dose ideal do medicamento? Por quanto tempo? Ele é o remédio ideal, ou surgirão outros? "É como o AZT, que foi a primeira droga da sua classe (antirretroviral). Talvez a gente encontre drogas melhores, ou resultados melhores combinando essa droga com outras", diz Margolis.

Também há um dilema ético envolvido. Como convencer um paciente que toma antirretrovirais, e por isso está com o HIV sob controle, a participar de um estudo que envolve risco de acordar uma doença letal? "Os métodos que temos hoje são eficazes, relativamente seguros, bem tolerados e não tão caros", afirma Daniel Kuritzkes, chefe do AIDS Clinical Trials Group (ACTG), um dos maiores grupos de pesquisa na área.

Além disso, um paciente curado pode ser facilmente reinfectado - basta fazer sexo sem proteção com alguém que tenha HIV. O ideal mesmo seria criar uma vacina contra o vírus. Infelizmente, o vírus conseguiu burlar todos os esforços nesse sentido. Há várias razões que dificultam o desenvolvimento de uma vacina. A primeira é a intensa variabilidade do vírus. Embora o HIV seja dividido em somente dois tipos, 1 e 2 (que têm origem em primatas diferentes), ele sofre constantes mutações dentro de cada tipo. Estima-se que a capacidade de mutação do HIV seja mil vezes maior que a do genoma humano. Isso torna o HIV imprevisível e complica bastante as coisas. Como preparar o corpo para se defender se ninguém sabe exatamente como o vírus pode se comportar? Mesmo assim, os esforços seguem: em maio, um novo teste de vacina foi anunciado por pesquisadores do Imperial College, de Londres, que farão um estudo em Ruanda e Nigéria e divulgarão os resultados em 2015.

Mas, mesmo sem uma vacina, e com a técnica de desinfecção ainda em testes iniciais, já existem pessoas que chegaram lá - foram curadas do HIV.

Nós e eles
A longa história da Aids na Terra

1959
Surgem os primeiros registros de homens morrendo devido a infecções de origem inexplicável. Um deles, que morreu no Congo, teve tecidos do seu corpo preservados e analisados nos anos 90. Eles continham HIV.

1981
O governo dos EUA publica um relatório descrevendo os casos de cinco homens homossexuais de Los Angeles, que tinham uma série de infecções raras. É o primeiro registro oficial da doença. Duas das vítimas morreram antes mesmo da publicação do artigo.

1983
Em abril, o Center for Disease Control (CDC), dos EUA, estima que dezenas de milhares de pessoas estejam infectadas pela doença. Ela ganha o nome de Aids (síndrome de imunodeficiência adquirida, em inglês).

1984
O pesquisador Robert Gallo, do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, afirma que a Aids é causada por um vírus.

1985
O ator americano Rock Hudson morre de Aids. É a primeira grande celebridade a ser vitimada pela doença, que já tem casos em todo o planeta.

1986
O Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus batiza o causador da Aids de Human Immunodeficiency Virus (HIV), ou vírus da imunodeficiência humana.

1987
O governo americano aprova o uso da zidovudina (AZT), primeiro medicamento a combater o HIV.

1989
Magro e abatido, o cantor Cazuza anuncia publicamente que está com Aids. Morreria em 1990 depois de uma agonia que expôs a fragilidade das vítimas.

1991
O laço vermelho se torna o símbolo da luta contra a Aids. Magic Johnson, estrela do basquete dos EUA, anuncia que é soropositivo. O cantor Freddie Mercury, do Queen, morre vítima da doença.

1993
O filme Filadélfia, em que Tom Hanks interpreta um advogado com HIV, chega aos cinemas. O bailarino Rudolf Nureyev e o tenista Arthur Ashe morrem de Aids.

1994
A epidemia atinge 1 milhão de casos no mundo.

1995
Surge a terapia antirretroviral altamente ativa (highly active antiretroviral therapy - HAART), um coquetel de drogas que impede a progressão do HIV.

1997
O número de pessoas infectadas chega a 30 milhões no mundo.

2000
A busca por uma vacina se torna prioridade global na pesquisa contra o HIV.

2003
Cientistas comprovam que o HIV veio dos chimpanzés. O laboratório VaxGen, um dos que desenvolve vacinas, anuncia que os testes em humanos falharam.

2007
Médicos anunciam que um paciente está livre do HIV. Timothy Brown, conhecido como Paciente de Berlim, não registra a presença do vírus no corpo desde então.

2009 a 2013
São publicados os primeiros estudos sobre eliminação de reservatórios do HIV, apontando um caminho para a cura. A busca por vacinas continua.

OS PRIMEIROS CURADOS
Em 1995, o americano Timothy Ray Brown descobriu que era soropositivo. Logo começou a tomar os medicamentos antirretrovirais e estava indo bem, até que em 2007, quando estava morando na Alemanha, ele começou a se sentir muito fraco. E descobriu que estava com leucemia, um câncer que ataca as células T (pois é, justo elas). Seu médico, o oncologista Gero Hütter, se lembrou do seguinte: no norte da Europa, uma em cada cem pessoas é imune ao vírus da Aids. Devido a uma mutação genética, elas não produzem uma proteína chamada CCR5. E sem essa proteína, o vírus da Aids não consegue entrar nas células.

Como Timothy estava com leucemia, teria de receber um transplante de medula óssea. Nesse tipo de transplante, o sistema imunológico do paciente é morto (por meio de quimioterapia) e substituído pelas células do doador. O médico teve a ideia de usar, como doadora, uma pessoa que fosse imune ao vírus da Aids. Dessa forma, quem sabe, poderia acertar dois alvos com um só tiro: curar Timothy da leucemia e do HIV.

O primeiro transplante não teve o efeito esperado, e a leucemia voltou. Timothy aceitou se submeter a um segundo. Funcionou. Ele ficou um ano no hospital, teve várias complicações de saúde, mas se tornou o primeiro humano na história a ser curado do HIV. Parou de tomar os antirretrovirais, e o vírus nunca voltou. Timothy ficou conhecido como o "Paciente de Berlim". Em julho deste ano, dois casos semelhantes ao dele foram apresentados na conferência da International Aids Society. Mas, nesses casos, os transplantes foram feitos há pouco tempo e ainda é cedo para dizer que o HIV não retornou.

Seja como for, transplante de medula é uma técnica complexa, que depende de fatores muito específicos - o procedimento de Timothy tinha apenas 5% de chance de sucesso. "Esse paciente ganhou na loteria", afirma Caio Rosenthal, infectologista do hospital Emílio Ribas, de São Paulo. Além de pouco eficaz, o procedimento é muito arriscado. "A pessoa que vai receber o transplante de medula fica completamente sem defesas [imunológicas] durante um período", explica Dirceu Greco, diretor do departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde.

Além das pessoas que não produzem a proteína CCR5, há outro tipo de gente resistente ao HIV: os chamados controladores de elite. Eles são infectados pelo vírus, mas não desenvolvem Aids. "De todas as pessoas infectadas, 5% são chamados progressores lentos. Eles têm carga viral baixa e só vão ficar doentes muitos anos depois. E, dentro desses 5%, há também uma porcentagem de controladores de elite, que apresentam carga viral há mais de dez anos e conseguem viver sem remédios", explica Breno Riegel, infectologista do Hospital Conceição, de Porto Alegre, e colaborador de estudos internacionais - incluindo uma pesquisa com antirretrovirais que foi considerada a mais importante do mundo em 2011 pelo jornal científico Science.

Para ser um controlador de elite, ou uma pessoa imune ao HIV, é preciso nascer com determinadas mutações genéticas. Mas também existe gente que se torna controladora de elite. Em março deste ano, pesquisadores do Instituto Pasteur, de Paris, apresentaram um estudo demonstrando a cura funcional de 14 pacientes franceses portadores do HIV. A palavra funcional significa que eles ainda carregam o vírus, mas não desenvolvem a Aids - mesmo tendo parado de tomar medicamentos antirretrovirais. Esses pacientes são identificados pela sigla Visconti, que vem de Viro-immunological Sustained Control After Treatment Interruption (Controle Viro-imunológico Sustentado Após a Interrupção do Tratamento). O líder do estudo, Asier Sáez-Cirión, destaca uma característica importante desses pacientes. Quando se descobriram infectados pelo HIV, na década passada, eles logo passaram a tomar o coquetel antirretroviral. Começaram a tomar os remédios no máximo 70 dias depois da contaminação. E essa rapidez ajudou muito. "Tratando desde cedo, você limita a entrada de vírus nos reservatórios (as células T inativas)", diz Sáez-Cirión. E isso teoricamente permite que, depois de alguns anos tomando o remédio, seja possível parar com ele - e mesmo assim não desenvolver Aids. Na prática, as coisas costumam ser diferentes. "Quando a pessoa chega ao médico, na maioria das vezes ela já está soropositiva há anos, e daí o tratamento já não é mais tão eficiente", explica Rosenthal. Um paciente que carrega o vírus há dez anos, por exemplo, já está com danos graves ao sistema imunológico.

Os pacientes do grupo Visconti tomaram os remédios durante três anos até que interromperam o tratamento. Eles conseguiram se manter saudáveis mesmo sem os antirretrovirais e estão assim há cerca de sete anos. Um deles está há uma década sem a medicação. Sáez-Cirión se refere a essa cura como "estado de remissão do vírus" - pois o HIV continua presente no corpo, ainda que não provoque o desenvolvimento da Aids. "Quando vimos os resultados, percebemos que isso pode ser um grande passo para a luta contra o HIV. Ficamos muito emocionados. Queremos reforçar a mensagem de que o tratamento precoce é importante", diz Sáez-Cirión.

O tratamento precoce foi responsável por um caso ainda mais impressionante. Em março deste ano, cientistas americanos revelaram que um bebê (que não teve o nome nem o sexo divulgados) havia sido curado do HIV. Se uma grávida sabe que tem o vírus da Aids e recebe tratamento adequado, com medicamentos antiretrovirais, há 96% de chance de que o bebê nasça sem o vírus. Mas, neste caso, não foi assim. A mãe da criança, que não havia recebido atendimento pré-natal, chegou ao hospital já em trabalho de parto. Um teste feito na hora detectou que ela tinha HIV. Era tarde demais para tratar a mãe e impedir que transmitisse a doença para o filho.

Então os médicos fizeram o parto e levaram o recém-nascido para a pediatra Hanna Gay, da Universidade do Mississipi. Ela decidiu tratar o bebê com altas doses de antiretrovirais, que foram mantidos durante os primeiros 18 meses da vida da criança. A partir daí, a mãe sumiu e não veio mais pegar os remédios. Ela ficou dez meses sem aparecer, e o bebê não recebeu nenhum tratamento durante esse período. O que era um caso de relapso materno acabou resultando numa descoberta científica incrível: mesmo sem nenhum remédio, o HIV não retornou. Não havia mais vírus no sangue da criança. Aparentemente, o tratamento ultraprecoce evitou que o HIV entrasse nos reservatórios (mesma coisa que teria acontecido com os pacientes franceses).

Humanos x HIV
Veja quem já está vencendo a doença - e como

Terapia atual
Como é? - O portador de HIV recebe uma combinação de medicamentos (o chamado coquetel de antiretrovirais) que impede a multiplicação do vírus. A quantidade de HIV no sangue despenca, chegando a níveis muito baixos.

A pessoa desenvolve Aids? - Não.

Pode transmitir o vírus? - Sim. O HIV permanece escondido no organismo.

Terapia de próxima geração
Como é? - O portador de HIV recebe um medicamento que acorda as células onde o vírus estava escondido. Em seguida, toma o coquetel de antiretrovirais - que impedem a multiplicação do HIV. Com o tempo, isso pode levar à eliminação total do vírus do organismo.

Pode transmitir o vírus? - Em tese, não. Mas a técnica ainda está em fase experimental.

Geneticamente imune
Como é? - Existem pessoas que nascem com uma mutação na proteína CCR5 - e isso impede o HIV de entrar nas células.

Pode transmitir o vírus? - Há controvérsias. Embora o HIV não consiga se multiplicar, é possível que algumas cópias dele se instalem no organismo - o suficiente para infectar alguém.

Supercontrolador
Como é? - É uma pessoa cujo sistema imunológico consegue controlar o HIV, mesmo sem a ajuda de remédios. Ainda não se sabe o que torna uma pessoa controladora de elite. É o caso dos pacientes franceses do grupo Visconti.

Pode transmitir o vírus? - Sim.

Bebê de Mississipi
Como é? - O filho de uma mulher HIV-positiva começou a receber o coquetel de antirretrovirais logo após o nascimento. O vírus sumiu.

Pode transmitir o vírus? - Em tese, não. O bebê está aparentemente curado, com carga viral indetectável.

Paciente de Berlim
Como é? - Recebeu um transplante de medula óssea de um paciente que tinha CCR5 mutante, ou seja, era imune ao HIV. Com isso, ele também adquiriu imunidade ao vírus.

Pode transmitir o vírus? - Em tese, não. O HIV desapareceu do organismo.

REENGENHARIA GENÉTICA
A expulsão do vírus, o tratamento ultraprecoce, as vacinas e os transplantes não são as únicas frentes de pesquisa contra o HIV. Existe mais uma, que consegue ser ainda mais ousada: modificar geneticamente o corpo humano para torná-lo resistente ao vírus. A técnica foi idealizada em 2008 e está sendo desenvolvida pela Universidade do Sul da Califórnia em parceria com a empresa de biotecnologia Sangamo BioSciences. Primeiro, obtém-se uma amostra de células T do paciente (coletando um pouco de sangue). Em seguida, usando técnicas de manipulação genética, essas células são alteradas. Elas passam a produzir uma versão deficiente da proteína CCR5 - aquela proteína essencial para o vírus da Aids. As células geneticamente modificadas são reinjetadas na pessoa, se multiplicam e aos poucos vão substituindo as células T normais. E o paciente adquire imunidade ao HIV. Essa é a ideia.

A técnica já foi testada em algumas pessoas. A mais famosa delas é um homem, identificado apenas como "Paciente de Trenton" (o nome vem da cidade onde mora, em Nova Jersey). Ele recebeu as células modificadas e parou de tomar os medicamentos anti-HIV. Num primeiro momento, a quantidade de vírus em seu sangue disparou. Mas em seguida despencou, até zerar. O HIV sumiu. "Eu me senti um super-homem", disse o paciente ao jornal New York Times. O resultado é animador, mas ainda não pode ser considerado cura. O estudo durou pouquíssimo tempo, apenas três meses (depois disso, o homem voltou a tomar os antirretrovirais, de forma preventiva). Seria preciso esperar mais para assegurar que o vírus não iria voltar. Além disso, o Paciente de Trenton possuía uma mutação genética que debilitava um pouco a proteína CCR5. Ele não era imune ao HIV, mas essa mutação pode ter aumentado a eficácia do tratamento - que não funcionou tão bem com os outros pacientes. Há um novo teste em curso, com nove soropositivos, e os resultados serão publicados até o final do ano.

Há um detalhe especialmente intrigante. No Paciente de Trenton, apenas 13,5% das células T adquiriram resistência ao vírus durante o estudo. Todas as demais continuaram vulneráveis. Mas essa mudança, modesta, já foi suficiente para que o organismo virasse o jogo contra o HIV e o eliminasse completamente do sangue. Talvez seja possível estender os limites do corpo humano - e, com uma pequena ajuda, torná-lo capaz de vencer a Aids. Talvez as drogas que expulsam o vírus de seus reservatórios funcionem cada vez melhor, e se tornem lugar-comum daqui a alguns anos. Talvez os tratamentos ultraprecoces livrem milhões de pessoas do vírus. Mas notícias promissoras não significam que devamos baixar a guarda. Pelo contrário. A prevenção e o sexo seguro (com camisinha) continuam sendo essenciais. Para de fato vencer a Aids, a humanidade terá de apelar para as armas mais poderosas que existem: a inteligência e o bom senso. Afinal, se o vírus pode evoluir, nós também.

O primeiro curado
O americano Timothy Ray Brown, 47, recebeu um transplante experimental de medula óssea - e, por conta disso, seu corpo se livrou do vírus HIV. Aqui, ele conta como foi o processo, e como vive hoje em dia.

O transplante, que você recebeu em 2009, era um procedimento arriscado, que poderia levar à morte. Por que você aceitou?
Quando os médicos começaram a tentar me convencer, eu disse não, porque o vírus HIV estava em remissão (sob controle). Mas eu tive leucemia, e tive de fazer o transplante por causa dela. Não fiz por causa da Aids; fiz por causa da leucemia.

E como você se sentiu quando descobriu que estava curado do HIV?
Eu não acreditei muito, até que o Dr. (Gero) Hütter publicou o caso no New England Journal of Medicine (em 2009). Aí eu pensei: ok, se outras pessoas acreditam que aconteceu, então eu vou acreditar. Se cientistas estavam acreditando, então era verdade. Me senti aliviado. Isso mudou a minha vida.

Você se sente curado?
Eu definitivamente me sinto curado. Meu corpo foi analisado da cabeça aos pés, fiz inúmeros exames de sangue, e não há sinal do HIV no meu corpo.

Como é a sua rotina médica?
Quando eu estava morando em São Francisco, ia ao médico pelo menos uma vez por mês. Mas, desde que me mudei para Las Vegas (onde administra uma fundação de luta contra a Aids), só vou ao médico se tiver necessidade. Mas eu continuo participando de estudos que possam ajudar mais pessoas a serem curadas.

O placar do jogo
Números da epidemia que mudou o mundo

- 26% da população na Suazilândia tem o vírus. É o país com maior incidência de contaminação.

- Em Bangladesh, menos de 0,1% da população está infectada. É a menor proporção.

- Mais de metade dos infectados são mulheres, mas o problema é muito pior no sul da África, onde mulheres representam 58% dos infectados.

- Até 2015, o orçamento estimado para combater a Aids no mundo inteiro é de US$ 24 bilhões anuais.

- Somente nos EUA, foram gastos US$ 344 bilhões no combate à Aids desde 1981.

- 30 milhões de pessoas já morreram de Aids

- Cerca de 15 milhões de pessoas têm acesso a tratamento com antirretrovirais.

- Nas Maldivas, menos de 100 pessoas possuem o vírus. É o país de menor incidência.

- Na África do Sul, 5,6 milhões de pessoas estão infectadas. É o líder mundial.

- 34 milhões estão infectadas no mundo.

(Revista Super Interessante)
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