Palavra do dia

"Eis que DEUS é meu ajudador, o SENHOR é quem me sustenta a vida." (SALMO 54:4)


domingo, 4 de agosto de 2019

FATOS INTERESSANTES SOBRE A RELIGIÃO NO ANTIGO EGITO

fonte de imagem: google
Os costumes e rituais, os deuses e objetos de culto despertam a curiosidade sobre a religião egípcia, quanto mais se descobre sobre a história antiga do Egito, mais rica e curiosa ela aparenta ser, por isso quando se fala do Antigo Egito, a religião é um dos assuntos mais debatidos e retratados principalmente nos filmes de arqueologia.
      
Pode-se dizer que a religião egípcia dedicava uma importância maior para os rituais pós morte, os achados arqueológicos estão repletos de documentos contendo rituais alusivos ao período pós morte e ao mundo dos mortos, mas de acordo com João, (2013) a religião egípcia possui três manifestações importantes, sendo elas, a funerária, a popular e a templária, esta última ligada aos rituais do santuário.

       A porta do santuário possuía um lacre e havia um ritual correto para rompê-lo, e só então o sacerdote poderia ficar frente a frente com a divindade. Havia vários deuses, dentre os mais famosos estava Osíris, o principal deus cultuado pelos egípcios, símbolo da imortalidade e do renascimento da alma, também havia a deusa Ísis considerada deusa do amor e mãe de todo Egito e Hórus o deus do céu. Os templos eram  importantes  instituições estatais, por isso acredita-se que a religião produzida pelos sacerdotes  era também a religião oficial, o faraó, ele mesmo um deus, era responsável por manter o maat na terra, ou seja, ele era responsável pela ordem, justiça e verdade.

       Os rituais realizados dentro dos templos consistiam basicamente em adorar e realizar oferendas as divindades. Um papiro atualmente situado em Berlim (Papiro de Berlim 3055 apud João 2013) mostra por exemplo, os rituais realizados em honra do deus Amon no templo de Karnak, cidade de Tebas. Nela há uma longa lista do que deveria ser feito nos cultos diários à divindade.

  
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 Os relevos pintados em tumbas possuem narrativas literárias inspirados nos mitos e nessas tumbas havia também o Livro Dos Mortos que consistia em um dos artefatos mais importantes para o ritual pós morte, pois nele eram registrados todos os rituais e orações que guiavam a alma do morto pelo caminho correto até o reino de Osíris e segundo o escritor e arqueólogo Dr. Rodrigo Silva (2014), um dos rituais mais marcantes era a substituição do coração do morto por um escaravelho de pedra. Quando a alma do morto estava no além e ia passar pelo julgamento onde se decidia o destino eternal do falecido, o escaravelho era colocado na balança que pesava as boas e más ações e assim a alma do morto conseguia burlar o juízo e se livrar da condenação eterna.


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      Os egípcios desenvolveram concepções religiosas bastante complexas tanto no que se refere a vida eterna quanto no que se refere à crença na imortalidade. O pensamento religioso egípcio é bastante pautado na observação da natureza como o nascer e pôr do sol, movimentos sazonais como as cheias do rio Nilo personificados na forma de deuses como é o caso do deus Hapi, o deus das cheias, por isso entendemos que muitos dos seus deuses eram representados nas formas antropozoomórfica, ou seja, uma mistura híbrida de homem e animal como o deus Hórus que possuía corpo humano e cabeça de falcão.       Contudo, o estado de ordem era frágil e deveria ser constantemente assegurado através das realizações de rituais nos templos, presididos pelo faraó em pessoa, ou, quando isso não era possível, por sacerdotes do alto escalão. Do contrário o universo sucumbiria as forças do caos, pois segundo o pensamento egípcio, o mundo era mantido por um frágil equilíbrio.

       Para os egípcios antigos o momento da criação do mundo foi o ápice da perfeição levando a crença nos mitos cosmogônicos. Cidades como Mênfis, Hermópolis, e Heliópolis tinham cada qual a sua versão de origem das coisas e considerando a sua importância política chegaram a influenciar outras religiões com a sua tradição.    

     Fora dos templos e do âmbito da religião oficial, é difícil saber como as pessoas comuns se relacionavam com os deuses e percebiam qual era a religião que lhes era imposta, pois a maioria da população do Antigo Egito era analfabeta e a maioria dos documentos que chegam até os pesquisadores são provenientes da visão da elite sobre a sociedade, é sabido por exemplo que uma das raras oportunidades que os egípcios tinham para ficarem frente a frente com a divindade eram durante os festivais onde as pessoas em geral podiam consultar o oráculo dos deuses. Um amuleto bastante popular era o Olho de Hórus, que, segundo a mitologia teria sido arrancado de Hórus em uma disputa com seu tio Seth, e mais tarde oferecido a seu pai, Osíris como símbolo da ressurreição. Não havia nessa sociedade separação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos, tanto um mundo quanto o outro faziam parte de uma mesma sociedade, pois os mortos não eram excluídos e podiam até mesmo intervir em questões dos vivos a pedido deles. Já a concepção Judaico - Cristã era diferente das dos egípcios, pois os egípcios não viam o ser através de uma dualidade entre corpo e alma. Havia sim uma pluralidade de aspectos corpóreos e não corpóreos, que em conjunto formavam um indivíduo.

       Durante o passar dos séculos o Antigo Egito ficou esquecido e soterrado pelas areias e encoberto pelo tempo, mas com o avanço das conquistas feitas por tropas, e guerrilhas, muitas coisas foram aparecendo e despertando assim uma curiosidade sem fim das pessoas em buscarem mais e mais artefatos sobre a história egípcia, e assim, muitos achados foram revelados, inclusive alguns que fazem alusões a religião Judaico - Cristã, como é o caso do Papiro de Ipuwer, escrito aproximadamente nos anos 1850 - 1600 a.C,  que quando traduzido, descobriu-se tratar de uma narrativa referente as dez pragas relatadas na Bíblia no livro do Êxodo. 

          

    
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Dentre os achados mais famosos na egiptologia, a (Pedra de Roseta), um artefato arqueológico de basalto achado pelos pesquisadores de Napoleão no sec. XVIII, traz algumas inscrições cuneiformes que quando traduzidas, nos revelou um decreto dos sacerdotes de Mênfis conferindo honras divinas a Ptolomeu V, Epifâneo (195 a.C). Sobre tais achados o Arqueólogo Dr. Rodrigo Silva diz o seguinte:     


"O despertamento provocado pelos achados egípcios fez com que muitos eruditos e aventureiros embarcassem em uma verdadeira corrida pelo ouro “arqueológico”, que talvez não trouxesse riqueza material, mas revelaria um inestimável tesouro: a compreensão mais clara das escrituras Judaico – cristãs."
 (Silva R. 2014. p.10-11).

De acordo com alguns estudiosos, analisando alguns fatores da religião egípcia, encontramos algumas semelhanças com outras religiões e outros ainda julgam que quanto mais materiais e artefatos arqueológicos sobre o Antigo Egito, mais fácil será compreender e contextualizar alguns aspectos históricos das escrituras Judaico –Cristãs. Independentemente se tais fatos corroboram ou não com as religiões atuais, o ponto importante é que a cultura egípcia no geral é riquíssima e desperta uma curiosidade fascinante devido a certos aspectos peculiares especialmente na religião que nos mostra de maneira curiosa como viviam e se comportavam os povos egípcios daquela época.

Por: ( Weverson Oliveira)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


.JOÃO, M. T. J. Tópicos de História Antiga Oriental – A religião egípcia. 1 ed. Curitiba, Inter Saberes, 2013
SILVA, R. P. OCoração de Faraó - Pr. Rodrigo Silva, 1º Palestra

SILVA, R. P. Escavando a Verdade: A Pedra de Roseta – Corrida arqueológica. 3 ed. Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 2014.



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